Instituto Espinhaço

O Instituto Espinhaço

O Instituto Espinhaço – Biodiversidade, Cultura e Desenvolvimento Socioambiental – é uma associação civil, sem fins lucrativos, tendo sua origem e foco no Brasil, com atuação nos eixos de biodiversidade, cultura e desenvolvimento socioambiental, articulando práticas inovadoras no âmbito local, com abrangência internacional. Criado com base no processo de mobilização social que resultou na chancela da Unesco para a Serra do Espinhaço como uma Reserva da Biosfera, em 2005, o Instituto Espinhaço possui membros em seis estados brasileiros (MG, RJ, SP, RS, GO e MS) e no Distrito Federal e em doze países (Brasil, Canadá, Suíça, França, Alemanha, Portugal, Estados Unidos, Espanha, Áustria, Índia, China e Itália).

Membro da IUCN – International Union for Conservation of Nature (União Internacional para a Conservação da Natureza) – organização internacional com mais de 1.100 membros em 160 países.

O Instituto Espinhaço é o responsável pela implantação e pela coordenação do projeto “Semeando Florestas, Colhendo Águas na Serra do Espinhaço”, maior iniciativa de restauração florestal e revitalização de bacias hidrográficas no Estado de Minas Gerais.

O Instituto Espinhaço trabalha para consolidar a pauta da restauração florestal em larga escala, implantar ações de conservação de solo e revitalização de bacias hidrográficas, desenvolvendo tecnologias e abordagens inovadoras que deem centralidade à pessoa humana nos processos de restauração ambiental, apoiando os processos produtivos nos territórios.

O Instituto Espinhaço também é membro do ICLEI – Governos Locais para a Sustentabilidade, principal associação mundial de governos locais dedicados ao desenvolvimento sustentável, cuja rede global conecta mais de 1.500 governos de estados e cidades de diversos portes, em mais de 100 países. A parceria com o ICLEI visa articular em escala projetos de inovação e desenvolvimento sustentável, com base em plataformas e programas estratégicos.

O Instituto Espinhaço também atua com programas de gestão integrada nos territórios, apoiando a adaptação dos ambientes urbanos e rurais, sobretudo para os pequenos e médios produtores rurais, aos impactos das mudanças do clima em bacias hidrográficas e sistemas aquíferos, reforçando a governança territorial como ferramenta central para se alcançar o desenvolvimento sustentável, ampliando a produção sustentável e a melhoria da qualidade de vida no campo e nas cidades.

O Projeto Semeando Florestas Colhendo Águas na Serra do Espinhaço

Em seu portfólio de programas e projetos, o Instituto Espinhaço realizou ações de grande relevância, como a implantação do projeto “Semeando Florestas, Colhendo águas na Serra do Espinhaço”, singular iniciativa para a restauração florestal no Estado de Minas Gerais por meio da produção de mudas arbóreas de espécies florestais nativas, contribuindo para a implementação do Desafio de Bonn – “Bonn Challenge”, esforço internacional não vinculante de recuperação da paisagem florestal para restaurar 150 milhões de hectares de áreas desmatadas ou degradadas, até o ano de 2020, e uma extensão adicional de 200 milhões de hectares até 2030. O Brasil assumiu o compromisso de promover a recuperação de 12 milhões de hectares de florestas até 2030 e, também por isso, o projeto “Semeando Florestas, Colhendo águas na Serra do Espinhaço” é hoje uma contribuição efetiva para a restauração florestal no Estado de Minas Gerais, especificamente, na região da Serra do Espinhaço, por meio da produção e do plantio de três milhões de mudas de espécies florestais nativas. O Instituto Espinhaço já coletou mais de 18 toneladas de sementes nativas, produziu mais de 4,2 milhões de mudas nativas, restaurou mais de 2,2 mil hectares de florestas em Minas Gerais e já atuou em mais de 2.200 propriedades rurais.


Desde 2016 a parceria entre Instituto Espinhaço e a Prefeitura Municipal de Itabira tem rendido importantes resultados para o meio ambiente do município. O maior Centro de produção de mudas do projeto Semeando Florestas, Colhendo Águas na Serra do Espinhaço está situado em Itabira, na região de Córrego do Meio. A antiga estrutura do viveiro de eucaliptos, área pública com aproximadamente 3 hectares de extensão, estava abandonada e sem produtividade e manutenção. Hoje, o viveiro florestal de produção de mudas de espécies nativas de Itabira, coordenado pelo Instituto Espinhaço, emprega mais de 30 funcionários e tem capacidade de produção de mais de 2 milhões de mudas por ano. Nele foram produzidas mais 273 mil mudas plantadas em todo o município de Itabira ao longo dos últimos três anos.

O Centro de produção de mudas de espécies arbóreas nativas de Itabira também funciona como um polo de pesquisa que, dentre outras linhas, trabalha com o mapeamento de processos de rastreabilidade desde a matriz coletada até a muda plantada; desenvolvimento da metodologia ROMI – Rocambole Misto, que promove a técnica de sucessão ecológica em larga escala e o desenvolvimento de pesquisa aplicada para produção de mudas (superação de dormência, homogeneidade de produção, adubação, pragas e doenças etc).

Além disso, as ações do Instituto Espinhaço em Itabira têm promovido a geração de emprego e renda local, a capacitação da mão de obra, a valorização do trabalho no campo e a diminuição da erradicação rural.

A Unidade de Formação e Treinamento do Centro de produção de mudas de Itabira atua com o propósito de formar multiplicadores dos processos de restauração ambiental, 17 ODS – Objetivos do Desenvolvimento Sustentável e ações de Gestão Integrada de Território através de treinamentos, oficinas e reuniões. No Centro também é fomentada a parceria técnico – científico com a UNIFEI – Universidade Federal de Itajubá – Campus Itabira, para pesquisas científicas de monitoramento e análise do solo, da quantidade e da qualidade da água em microbacias hidrográficas no município.

O Instituto Espinhaço está implantando, no Centro de Produção de Mudas em Itabira, um Arranjo Produtivo Local – APL, de Sistema Agroflorestal – SAF, em parceria com o Centro Internacional de Pesquisa Agroflorestal – ICRAF (sigla em inglês). Trata-se de um projeto demonstrativo que visa desenvolver um consórcio de atividades de produção de espécies florestais frutíferas, de interesses agronômicos e espécies de pastagem. O projeto registra os processos de produtividade, custos e esforços empenhados em um sistema agroflorestal no modelo Quintal Florestal através de técnicas simples associando a produção sustentável orgânica vegetal e animal. Tudo foi organizado e é conduzido experimentalmente para que o produtor possa ter participação na implantação e domínio na condução e manutenção do sistema produtivo, de forma a criar mais autonomia do agricultor em relação à assistência técnica.

Em função do espaço disponível e da demanda da local, a espécie animal implantada no sistema foi a de aves caipiras, permitindo a geração contínua de renda através da comercialização de ovos e carne e o enriquecimento do composto orgânico produzido através dos resíduos gerados.


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